Operação da PF que mira Bernal e prefeito de Ponta Porã desencadeou Lava Jato

06/01/2016 15h09 - Atualizado em 06/01/2016 15h09

Operação Miqueias que investiga Bernal e prefeito de Ponta Porã desencadeou Lava Jato

Fabiano Inove
 
Os Os "irmãos siamenes", Ludimar e Bernal

Foi em uma conversa informal sobre a Operação Miqueias que a Policia Federal encontrou a prova de que o doleiro Alberto Youssef estava em plena atividade. E, a partir da troca de mensagens, em outubro de 2013, entre o doleiro Carlos Habib e Youssef, a PF passou a monitorá-los na Operação Lava Jato. À época, Youssef residia em apartamento de alto padrão na Vila Nova Conceição, em São Paulo, avaliado em R$ 3,8 milhões.

Desconfiado com o fato de não ter sido preso na Operação Miqueias, ele se denuncia em uma mensagem a Habib: "Eu não sei como não entrei, mas eu tô achando que tem outra andando, entendeu? Porque não tem lógica, porque eu fiz muita operação! Eu tô achando que alguma outra paralela, entendeu? (sic)".

A Operação Miqueias, tinha o objetivo de desarticular duas organizações criminosas suspeitas de lavagem de dinheiro e de má gestão de recursos de entidades previdenciárias públicas. Foram escalados mais de 300 policiais para cumprir 102 mandados judiciais.

Segundo a PF, foram cumpridos 75 mandados de busca e apreensão, cinco de prisões preventivas e 22 de prisões temporárias em 10 unidades federativas: Distrito Federal, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Maranhão, Amazonas e Rondônia.

O dinheiro, segundo a PF, era creditado nas contas bancárias das empresas investigadas, e os valores ilícitos ficavam circulando pelas demais contas ligadas à quadrilha, de onde eram sacados. Em 18 meses, foram sacados mais de R$ 300 milhões. Para não chamar a atenção dos órgãos de fiscalização, os criminosos substituíam periodicamente os laranjas e empresas envolvidas no esquema.

A PF identificou diversas "células criminosas da organização", divididas em três núcleos. De acordo com os investigadores, os criminosos contavam com a ajuda de policiais civis do Distrito Federal. Os líderes da organização também faziam aliciamento de prefeitos e gestores do Regime Próprio de Previdência Social a fim de que aplicassem recursos de entidades previdenciárias em fundos de investimentos com papéis pouco atrativos, geridos pela própria quadrilha e com alta probabilidade de insucesso.

Esses fundos eram formados por "papeis podres" e "foram verificados prejuízos no patrimônio desses regimes previdenciários", segundo a nota da PF. Os prefeitos e gestores que aderiram ao esquema eram remunerados com um percentual sobre o valor aplicado.

Foram verificadas suspeitas de irregularidades especificamente no Regime Próprio de Previdência Social das prefeituras de Manaus, de Campo Grande, Ponta Porã e Murtinho (MS), Queimados (RJ), Formosa, Caldas Novas, Cristalina, Águas Lindas, Itaberaí, Pires do Rio e Montividiu (GO), de Jaru (RO), Barreirinhas, Bom Jesus da Selva e Santa Luzia (MA).

Alcides Bernal é acusado por falsificação de papéis públicos na justiça federal

Aonde entra Alcides Bernal (PP) e Ludmar Novais (PDT)

Ludimar Novaes (PDT), prefeito de Ponta Porã e Alcides Bernal, prefeito de Campo Grande, foram citados por suposta ligação com o esquema nacional de desvio de dinheiro de fundos de pensão através do investimento em papéis fraudulentos de empresas de fachada, desvendado em 2013 pela Operação Miquéias, da Polícia Federal. Clique aqui

No inquérito da Policia Federal, a modelo Luciane Lauzimar Hoepers, ex-namorada do doleiro Fayed Traboulsi, revelou ter fechado “negócio” no valor de R$ 12 milhões com Ludimar Novaes. Fayed é acusado de comandar as ações do grupo em todo o país e Luciane tinha a missão de cooptar os prefeitos.

Já no outro trecho do inquérito, o doleiro Fayed Antoine Trabousi, manteve contatos com o prefeito de Campo Grande Alcides Bernal (PP). A intenção, conforme relatório da Polícia Federal (PF), seria aplicar recursos do Instituto Municipal de Previdência de Campo Grande para fundos controlados pela quadrilha.

Em pedido de medida cautelar feito pela PF ao Tribunal Regional Federal da 3ª Região, para busca e apreensão de nº 0042276-27.2013.4.01.0000/DF, a delegada Andréa Pinho Albuquerque faz uma síntese histórica dos fatos e revela uma interceptação telefônica em que é revelado que Fayed já tinha mantido contato com Bernal em Brasília, antes mesmo dele tomar posse.

Na conversa telefônica, gravada em 21 de novembro de 2012, Fayed fala com o vice-presidente da câmara dos deputados, Waldir Maranhão, também do PP sobre Bernal. Em trecho da gravação, Waldir Maranhão tenta convencer o doleiro a ligar para Bernal e marcar outro encontro, aproveitando a ida do progressista a Brasília.

Em 31 de janeiro de 2014 foi instaurado na Superintendência da PF do Distrito Federal o inquérito policial 148/2013, atendendo a ofício do Ministério da Previdência Social comunicando “irregularidades envolvendo aplicações realizadas por diversos Regimes Próprios de Previdência Social (RPPS) em fundos de investimentos de crédito privado”. Segundo a PF, “tais aplicações teriam por objetivo final desviar recursos dos institutos de previdência, á medida que eles investiriam em fundos não-rentáveis a longo prazo, causando sérios prejuízos ao patrimônio dos Regimes Próprios (RPPS) dos servidores públicos”.

Veja trecho da degravação em que Fayed admite que já teve conversas com Bernal:

— Deixa eu lhe dizer: amanhã quem vai estar aqui é o Bernal lá de Campo Grande. Já teve com ele, né? — diz Maranhão no grampo feito pela PF.

— Já sim. Eu já estive conversando da outra vez com ele. Mas eu tô indo para São Paulo às 8 horas da manhã e volto às 2 horas da tarde — respondeu o doleiro Fayed.

— Eu acho assim. Se você tiver um tempinho, à noite, eu acho que vale a pena convidá-lo para ter uma conversa social, tá? — sugeriu o interlocutor.

— Amanhã eu vou te ligar assim que eu chegar aqui em Brasília para você ou fazer contato com ele ou me dar o telefone dele para mim falar com ele, tá? — diz o doleiro

— Eu vou te passar logo o telefone dele porque um convite seu é diferente, viu?

O doleiro Fayed Traboulsi é sócio de Carlos Habib Chater, pivô da Operação Lava Jato juntamente com Alberto Youssef.

Ligações perigosas

Tanto Alcides Bernal quanto Ludimar Novais são "irmãos siameses", Bernal comanda o PP, partido que tem mais de 32 parlamentares investigados na Lava Jato. Já Ludimar se filiou ao PDT em 8 de dez de 2015. Partido comandado por Dagoberto Nogueira e por Carlos Brum - assessor do senador Delcídio do Amaral, preso por atrapalhar as investigações da Operação Lava Jato....

Delcídio é padrinho de Bernal na atual administração. Também conseguiu emplacar dois fiéis escudeiros junto a maior secretária da prefeitura de Campo Grande, primeiro foi seu suplente a senador, Pedro Chaves e agora Paulo Pedra do PDT....

Comenta-se nos bastidores que o PDT é do contraventor Jamil Name, cunhado de Pedro Chaves....

Esquema de doleiros investigados na Lava Jato financiaram Alcides Bernal

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