Exclusivo: Bernal é investigado pela Lava Jato em esquema de doleiro

06/03/2016 14h12 - Atualizado em 06/03/2016 14h12

Exclusivo: Bernal é investigado pela Lava Jato em esquema de doleiro

Fabiano Inove
 

A Polícia Federal investiga a participação do prefeito de Campo Grande Alcides Bernal e do vice-presidente da câmara federal Waldir Maranhão, ambos do Partido Progressista no esquema de lavagem de dinheiro e evasão fraudulenta de divisas e doações esquentadas, envolvendo propinas de empreiteiras investigadas na Lava Jato. O doleiro Fayed Antoine Trabousi investigado na Operação Miqueias, e sócio dos doleiros Carlos Habib e Alberto Youssef, presos na Operação Lava Jato, seria o "portador" da propina para Alcides Bernal para campanha de 2012.

No final de 2014, em novo depoimento à Força-Tarefa, Alberto Youssef afirmou que Carlos Habib Chater, dono de postos de combustíveis em Brasília que distribuiu propinas a políticos em nome dele, também opera com outro doleiro, Fayed Traboulsi. Uma das vertentes da Lava-Jato apura possíveis relações financeiras e societárias entre Youssef e Traboulsi, investigado na Operação Miqueias, em 2013. Essa investigação da PF desvendou um esquema de lavagem de dinheiro e má gestão de recursos de entidades previdenciárias públicas envolvendo principalmente investimentos em papéis relacionados ao banco BVA, que sofreu intervenção do Banco Central em 2012 e teve a falência decretada este ano. Traboulsi foi apontado como o dono da Invista Investimentos Inteligentes, que intermediou aplicações de vários fundos de pensão, principalmente de prefeituras, no BVA.

Lava-Jato levanta suspeita sobre articulação política de fundos de pensão

Foi após a Operação Miqueias que Lava Jato chegou em Youssef

Em uma das conversas interceptadas pela Policia Federal, sobre a Operação Miqueias que a Policia Federal encontrou a prova de que o doleiro Alberto Youssef estava em plena atividade. E, a partir da troca de mensagens, em outubro de 2013, entre o doleiro Carlos Habib e Youssef, a PF passou a monitorá-los na Operação Lava Jato.

Desconfiado com o fato de não ter sido preso na Operação Miqueias, ele se denuncia em uma mensagem a Habib: "Eu não sei como não entrei, mas eu tô achando que tem outra andando, entendeu? Porque não tem lógica, porque eu fiz muita operação! Eu tô achando que alguma outra paralela, entendeu? (sic)" :

Operação Miqueias que investiga Bernal e prefeito de Ponta Porã desencadeou Lava Jato

Outra vertente

A PF suspeita que a participação ativa do Senador e delator Delcídio do Amaral na campanha de 2012 de Alcides Bernal para prefeito de Campo Grande, e os R$ 1,8 milhões de dinheiro oculto destinado pelo partido progressista a campanha de Bernal, levanta as suspeitas de que as doações foram esquentadas e passaram sim, pelas mãos do doleiro Fayed através da Invista Investimentos Inteligentes . Esquema de doleiros investigados na Lava Jato financiaram Alcides Bernal

Mas foi após uma conversa **entre o deputado federal Waldir Maranhão do PP, vice-presidente de Eduardo Cunha (PMDB) na câmara federal que a Lava Jato chegou ao prefeito de Campo Grande Alcides Bernal, vice-presidente nacional do PP. ** Devassa da PF em casa de Presidente do PP coloca Bernal na Lava Jato

Indícios que levaram a Força-Tarefa investigar Bernal e o partido em MS. Acompanhe:

Confirmado: Empresa usada por Youssef para pagar propina, financiou Bernal

Exclusivo: Lava-Jato chega em tesoureira e assessora do prefeito Alcides Bernal

Empresa de fachada de Youssef financiou Evander Vendramini do PP, aponta Lava-Jato

Bernal, Heitor Miranda, Ludimar Novais e Vander Loubet

Fora o prefeito Alcides Bernal, dois prefeitos sul-matogrossense foram cooptados pela quadrilha de Fayed e receberam uma visitinha da Policia Federal em 2013. Entre os prefeitos envolvidos no esquema de corrupção chefiado pelo doleiro Fayed Traboulsi, dois veio à tona e abriu os olhos da população de duas cidades sul-mato-grossense. O primeiro é Ludimar Novais (PDT), prefeito de Ponta Porã, o segundo é Heitor Miranda dos Santos (PT), tio do deputado federal Vander Loubet.

Loubet foi denunciado pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, por 110 crimes, 11 de corrupção e 99 por lavagem de dinheiro. **Na denúncia, o procurador-geral pede que o deputado seja condenado criminalmente por ter recebido R$ 1.028 milhão em propinas do doleiro Alberto Youssef sócio de Fayed, devolva o dinheiro corrigido, pague cinco vezes esse valor (R$ 5,144 milhões) a título de reparação material e moral à União e perca o mandato parlamentar.

Envie seu Comentário